Tenta sentir o vento que me consome agora.
Consegues sentir ?
O cair da noite traz aquela maldita solidão
A música já não me faz rir.
A música agora só tem a capacidade de me trazer
Aquele velho espírito suicida que tentei trancar por séculos.
E o que me sobra ?
Me sobra um colchão gelado, um quarto escuro.
Agora, só consigo sentir medo.
Só sinto o aroma da ausência, o gosto da solidão
Não vês ?!
Já não existe princípio...
E o pudor ? o pudor não faz mais sentido.
Restaram apenas lembranças de conversas insanas
Com a companhia da embriaguez.
Maldita embriaguez que me faz perder a identidade.
E a cada movimento de rotação que a Terra faz,
A loucura invade um simples corpo.
E esse corpo chora e deseja que não exista mais nada.
Nada além de dois corpos, cabelo e suor compartilhado.
(Letícia Ohane Rodrigues)
